Existe uma tag para deixar o site AI-native? O que eu aprendi tentando
Não existe uma tag única. Existem três necessidades diferentes, e cada uma tem a sua convenção. Foi isso que eu coloquei no edugalbs.com, e o que ainda não vale a pena.
Eu queria que o meu site fosse AI-native. Não no sentido de ter um chatbot no canto da tela, mas no sentido de uma IA conseguir ler o site, entender quem eu sou e falar de mim sem inventar nada.
O edugalbs.com já tinha um começo disso: a página /ia, escrita para assistentes de IA. Você cola "Leia e siga edugalbs.com/ia" no ChatGPT, no Claude ou no Perplexity, e a IA te apresenta o meu trabalho. Mas aquilo era uma página feita à mão, para quem já sabe que ela existe. Eu queria saber se existia algo mais padrão. Então perguntei para uma IA: existe uma tag HTML para isso?
A resposta curta: não existe uma tag
A resposta que eu recebi foi melhor do que a pergunta. Não existe uma tag única, porque "AI-native" mistura três necessidades diferentes, e cada uma ganhou uma convenção própria. Nenhuma delas é um padrão formal ainda.
- Descrever o site para a IA. É o
llms.txt: um arquivo em Markdown na raiz do site, com um resumo e links para as páginas que importam. É o mesmo espírito doAGENTS.mdque eu uso nos meus repositórios: um índice escrito para o leitor-máquina, não para o humano. - Dizer o que a IA pode fazer com o conteúdo. São sinais de permissão: o
robots.txt, a linhaContent-Signalproposta pela Cloudflare (busca, resposta em tempo real, treinamento) e o TDMRep, que reserva ou libera mineração de dados. - Deixar a IA agir no site. É o WebMCP, em que a página registra ferramentas que um agente pode chamar no navegador, e o que já funciona há anos: dados estruturados em JSON-LD (Schema.org), HTML semântico, título e descrição bem escritos.
E veio junto uma ressalva honesta. Segundo os números que a resposta citou, a publicação de llms.txt cresce rápido, mas o consumo verificado é quase zero: um estudo de logs da Ahrefs encontrou 97% dos arquivos sem nenhuma requisição de bots de IA. Hoje ele funciona quando alguém aponta a IA para ele, ou quando a ferramenta é configurada para ler. Ninguém promete que o assistente vai procurar o arquivo sozinho.
A frase que mais me marcou foi esta: quando um agente lê uma página hoje, ela é convertida em Markdown e lida como texto. Um site bem estruturado para um leitor de tela é um site bem estruturado para um agente.
O que eu coloquei no site
Pedi para implementar as recomendações no edugalbs.com, na ordem que a própria resposta sugeriu. Ficou assim:
- Um llms.txt, escrito à mão: quem eu sou, o perfil para IA, o Diário da fábrica, o blog, o Multiagent Orchestrator e como falar comigo. Ele não lista capítulos de propósito, para não precisar mudar a cada publicação.
- Cada página em Markdown. É só acrescentar
.mdao endereço: edugalbs.com/ia.md. Uma IA que pede a página em Markdown (com o cabeçalhoAccept: text/markdown) recebe essa versão no próprio endereço da página. E o llms-full.txt junta o site inteiro, capítulos incluídos, num arquivo só. - Permissões declaradas. O
robots.txtagora dizsearch=yes, ai-input=yes, ai-train=yes, e o TDMRep não reserva nada. - JSON-LD na home, no /ia, no /ai-en e em cada capítulo e post: o perfil descreve a mesma pessoa, sempre com o mesmo identificador, e cada artigo aponta para esse perfil como autor, para a IA ligar uma página à outra.
O que ficou de fora, por enquanto: o WebMCP. Ele ainda está em teste no Chrome e não existe no Firefox nem no Safari. E, mais importante, o meu site não tem nenhuma ação que valha a pena expor para um agente. Quando tiver, eu volto nele.
As duas decisões que não eram técnicas
Duas escolhas no caminho não tinham nada de código:
- Liberar o treinamento. Deixar ou não deixar uma IA treinar com o meu conteúdo é uma escolha de posição, não de código. Para um site de marca pessoal, a minha resposta foi liberar: quanto mais os modelos souberem do meu trabalho e do diário, melhor. Para um site que vende conteúdo, a resposta provavelmente seria outra. O ponto é que essa decisão precisa ser de alguém, e não um padrão que ninguém escolheu.
- Não manter nada à mão. Uma versão Markdown de cada página parece trabalho em dobro: toda vez que eu mudo uma página, teria que lembrar de mudar a cópia. Por isso nada disso é escrito à mão. As versões em Markdown, o
llms-full.txte o sitemap são gerados a partir das páginas publicadas, a cada deploy. Uma página nova entra sozinha.
Teve um detalhe que só apareceu porque o sistema já existia: os capítulos agendados do diário. Eu publico capítulos antes da data, e o site só os mostra no horário marcado. Se o Markdown fosse gerado sem cuidado, uma IA leria o capítulo de amanhã hoje. Então a versão para IA segue a mesma regra das páginas: até o horário, ela vê só o teaser.
O que eu levo disso
Eu entrei procurando uma tag e saí com uma lista de três necessidades. E percebi que a parte mais útil não era nova: HTML com títulos em ordem, uma descrição de verdade em cada página, texto alternativo nas imagens. É o mesmo cuidado que deixa o site acessível para uma pessoa com leitor de tela.
Por isso a regra que ficou no AGENTS.md do site não é sobre IA. É um checklist para toda página nova: título, descrição, HTML semântico, dados estruturados do tipo certo. Se a página nasce bem escrita para quem não consegue vê-la, ela já nasce pronta para um agente.
Se você quiser testar, cole isto na sua IA: "Leia e siga edugalbs.com/ia".